Seda de aranha levanta voo

Seda de aranha levanta voo

Leve, resistente e sustentável. São estas as propriedades que podem levar a seda sintética da aranha para o interior dos aviões. A indústria da aviação quer reduzir o seu impacto ambiental e a aplicação desta fibra pode ser uma das soluções.

A indústria de aviação é responsável por mais de 2% das emissões de carbono mundiais. Um voo entre Nova Iorque e Califórnia produz cerca de 20% mais de emissões que um carro produziria ao longo de um ano. Com o número de viagens de avião a aumentar cerca de 6% anualmente, os pequenos ganhos na eficiência na construção de aviões conseguidos ao longo dos anos dificilmente compensam a procura.

Ainda assim, há margem para melhorias. Desde 2011, as linhas comercias têm feito experiências com biocombustíveis, que reduzem as emissões de carbono. Nos últimos anos, a indústria da aviação começou a privilegiar materiais mais leves, como compostos de fibra de carbono, em vez de metal e aço, na construção do corpo principal e asas dos aviões. A fibra de carbono é frequentemente designada como a heroína da sustentabilidade, já que a sua resistência e baixo peso fazem com que atue eficientemente e exija menos combustível, ainda assim, esta requer muita energia para ser produzida e é muito difícil de reciclar.

As potencialidades da Biosteel

Na procura por um material mais sustentável e igualmente leve, a construtora de aviões comerciais Airbus “aterrou” numa solução surpreendente: a seda sintética de aranha. A Airbus estabeleceu uma parceria com a AMSilk, uma empresa alemã que garante ser a primeira fornecedora industrial de polímeros de seda sintética. Esta fibra, denominada Biosteel, é produzida em laboratório e pretende-se que imite a flexibilidade e a resistência da seda da aranha (ver o Planeta das Aranhas). O processo de fermentação bacteriana, em circuito fechado, para fabricar Biosteel, não requer combustíveis fósseis ou temperaturas altas, tornando-a eficiente em termos energéticos e sustentável. Em colaboração com a Airbus, a AMSilk vai trabalhar para desenvolver um protótipo deste material, feito da fibra de Biosteel e resina, que esperam lançar em 2019, revela o CEO da AMSilk, Jens Klein, à Fast Company.

© adidas Group (photographer: Hannah Hlavacek)

Mas esta não será a primeira aplicação da Biosteel, que criou um frenesim ao longos dos últimos anos. Estreou-se numas sapatilhas biodegradáveis da Adidas e várias empresas de vestuário desportivo têm-se interessado pelo material pelas suas propriedades únicas de resistência e durabilidade. (ver Aranha tece inovação na Adidas). Aliás, Stella McCartney, designer de moda sustentável, já o incorporou nas suas peças de roupa. A AMSilk estabeleceu também uma parceria com uma empresa da área da saúde, que está a usar este material para desenvolver um revestimento mais seguro para implantes, na medida em que é derivado de uma proteína natural, ou seja, o corpo humano aceita-o mais rapidamente do que os polímeros sintéticos.

O grande salto para os aviões

Passar da moda e da medicina para a aviação é um grande salto. O momento em que será possível encontrar o Biosteel em aviões ainda não está definido, já que está dependente do processo de prototipagem, mas a Airbus espera provar que a indústria da aviação pode integrar mais materiais sustentável nas suas construções. «A Airbus estava à procura de materiais com propriedades que não são frequentemente encontradas na indústria. A fibra de carbono, ainda que seja leve, tende a ser frágil e rígida. Há uma necessidade de que os aviões e outros objetos voadores sejam flexíveis e resistentes simultaneamente, algo que os materiais existentes não oferecem frequentemente, mas o Biosteel consegue», destaca Jens Klein. A Biosteel é também mais maleável e com capacidade de se moldar a formas pouco convencionais (como o calçado), o que pode facilitar a inovação na forma como os aviões são contruídos.

Também para a AMSilk a parceria representa uma grande expansão de negócio. «Trabalhar em materiais compósitos é algo realmente novo para nós», afirma Klein. «Sabemos como desenvolver fibras e agora estamos a desenvolver conhecimento para materiais compósitos». Isso também demonstra a escala de inovação de um material. Enquanto que o calçado biodegradável representa uma mudança, ainda que pequena, importante na moda e no vestuário, trabalhar com um material produzido de forma sustentável e inovador na indústria da aviação pode acelerar o processo num grande sector que, notoriamente, tem um longo caminho a percorrer para cumprir os padrões ambientais.

Noticia retirada na integra de Portugal Textil



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