Algodão orgânico, porquê?

Algodão orgânico, porquê?

Um relatório recente da Textile Exchange destacou as três principais razões porque se deve apoiar a utilização e cultivo de algodão orgânico, estabelecendo os benefícios da fibra em comparação com o algodão convencional.

  1. Não utilizam pesticidas

O algodão orgânico cresce sem recurso a aditivos sintéticos ou pesticidas.

Segundo a Pesticide Action Network UK, “as culturas de algodão cobrem 2,4% do cultivo existente no mundo, mas ao mesmo tempo, consomem 6% dos pesticidas utilizados mundialmente, mais do que qualquer outra cultura”.

O uso de pesticidas está ligado por várias investigações a doenças graves e problemas de desenvolvimento relacionados com a exposição aos mesmos. O Agricultural Health Study, financiado pelo National Cancer Institute e pelo National Institute of Environmental Health Sciences, é um dos maiores estudos de saúde em curso – com mais de 89.000 participantes de comunidades agrícolas – e divulgou casos de cancro (incluindo cancro da próstata), Parkinson, diabetes ou asma relacionados com o uso e proximidade com pesticidas.

  1. Maior rendimento no decorrer do cultivo

Um dos argumentos mais utilizados no apoio ao cultivo convencional de algodão é que o rendimento é maior.

Contudo, a agricultura quimicamente intensiva, especialmente em sistemas irrigados, como é o caso do algodão convencional, explora ano após ano o ecossistema para maior rendimento. Esse tipo de exploração requer o uso de uma quantidade cresceste de produtos químicos, incluindo reguladores de crescimento, gerando, ao longo do tempo um gasto que não existe no caso do cultivo biológico.

  1. Consumo de água reduzido

A produção de algodão – e de vestuário, no geral – exige quantidades significativas de água.

O algodão orgânico, por definição, vem de plantas que não foram geneticamente modificadas. Devido a essa diferença, para conseguir a mesma quantidade de fibra de uma cultura convencional é necessário plantar mais algodão, o que significa usar mais terra. Essa terra, claro, tem de ser cuidada e irrigada.

No entanto, existe quem defenda que o algodão orgânico acabe por exigir menos água ao longo do tempo, em parte porque o solo, devido aos elevados níveis de carbono provenientes da matéria orgânica e ao não uso de pesticidas, armazena melhor a água.

Não obstante, a verdadeira questão sobre a água é a poluição, afirma a Textile Exchange, sublinhando que “os produtos químicos tóxicos utilizados na produção convencional de algodão estão a envenenar a água que afirmam salvar”.

  1. Apoiar marcas e retalhistas

A Textile Exchange acredita que os consumidores que se preocupam com o meio ambiente e as comunidades agrícolas que produzem o algodão para as suas roupas devem apoiar marcas e retalhistas na utilização de algodão orgânico.

O último Organic Cotton Market Report, produzido pela Textile Exchange, alinhou os 10 maiores utilizadores de algodão orgânico em volume: C&A, H&M, Tchibo, Inditex, Nike, Decathlon, Carrefour, Lindex, Williams-Sonoma e Stanley and Stella.

“A produção de algodão evoluiu nos últimos 15 anos”, afirma La Rhea Pepper, diretora da Textile Exchange, ao website Just-style.

O intercâmbio e a “maior consciencialização sobre os benefícios para a saúde, económicos e ambientais das práticas de agricultura orgânica pelos agricultores e consumidores” declara La Rhea “influenciaram melhorias em muitos sistemas de produção de algodão”, aponta.

De acordo com o Preferred Fiber and Materials Market Report, a adoção de métodos de produção de “fibras preferidas” – definidas como fibras, materiais ou produtos ecológicos e socialmente progressivos; seleccionadas porque possuem propriedades mais sustentáveis em comparação com outras opções – subiu para os 8,6% no algodão convencional, mas o algodão orgânico, em geral, continua a ter menor impacto ambiental num geral.

Fonte: Portugal Textil



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